
A beleza de celebrar os dias normais
Não é todo dia que o tempo está bom, que o café sai no ponto certo, que o pão está fresquinho, não é todo dia que a gente acorda de conchinha. Nem todos os dias são maravilhosos, sabe. Na real, quase nenhum é, a gente pode até viver uns instantes delicinhas durante alguns minutos, segundos, milésimos das 24h que ganhamos a cada dia, mas consideramos o restante (a maior parte) morno e sem grandes ebulições. Fico me perguntando se o saldo do restante é tão insosso assim. Será que estamos sendo justos? Será que aí nesse pedaço, nessa “sobra”, não se esconde algo bom que mereça um destaque especial?
Nos acostumamos a dar mais importância as coisas negativas que acontecem com a gente, e as positivas passaram a ser banais demais para serem comemoradas. A gente não comemora um café gostoso, aquele papo legal que vez ou outra temos com os amigos, aquela paquera despretensiosa com um anônimo na rua. Será que essas coisas não deveriam ser celebradas pelo simples fato de serem boas e nos fazerem bem?
Falamos tanto que a vida é o nosso bem mais precioso, mas só celebramos ela uma vez a cada doze meses, damos tanto significado a chegada de um novo ano, e não vemos a importância das viradas de rumo que damos na vida.
Não é preciso aplaudir cada nascer e pôr do sol, mas se puder, pare um pouco e contemple esse pequeno espetáculo de todos os dias. Nem estou aqui falando que é pra gente sair abraçando as pessoas aleatoriamente na rua, mas perceba como algumas têm o dom de fazer a gente se sentir bem, confortável e até ridiculamente feliz.
Um brinde a essas banalidades, as pequenas doses de felicidade que provamos todos os dias, mesmo não as saboreando como merecido, elas ainda são servidas, às vezes é aquela música favorita que aparece na playlist aleatória e faz a gente sorrir involuntariamente, pode ser aquele elogio inesperado e espontâneo que faz bem para o ego, pode ser a coisa mais banal do mundo, se faz bem, comemore.
Se você teve a sorte de encontrar algo extraordinário na trivialidade, não deixe isso cair no cardápio das coisas insossas, aprecie e guarde o gostinho bom de ter um motivo especial para celebrar o fato de estar vivo.
Nota que inspirou esse texto:

O amor é um velho agricultor

Você não foi um erro meu.
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2 Comentários
Lariça Evangelista Ferreira
Excelente reflexão…Amei…Vale muito parar, ler, refletir e pôr em prática!
Juliana Ferreira
Valeu 🙂
A gente tem todos os dias para praticar, aproveite!