O vírus da Resiliência.

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Tem um vírus fazendo vítimas de todas as idades mundo afora, as pessoas infectadas por ele apresentam os sintomas de inquietação e falta de paciência com o conformismo de certas situações. O nome desse vírus destrutivo? Resiliência.

Você já deve ter ouvido falar dele por aí, ele anda fazendo mudanças irreversíveis na vida das pessoas, como no caso deste jovem.

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Marcelo, um garoto inteligente, recém-formado em direito que conseguiu passar na prova da OAB. A família do rapaz estava radiante por essa conquista, pensavam que o futuro promissor do novo advogado  já estava traçado. Porém, a vida lhe reservou outro destino, logo ele começou a perceber que a carreira na advocacia não era tão fácil como imaginava, o moço não conseguia emprego em nenhum lugar e já estava desanimado. Foi nesse momento de vulnerabilidade que ele foi infectado, resolveu montar uma barraquinha de sanduíches naturais, como ele mesmo diz “a melhor da cidade, diga-se de passagem”. Sem dúvida, um negócio de grande futuro, pois juntou as habilidades do Marcelo mestre cuca, com o daquele Marcelo que era fera nas matérias de direito empresarial, mais aquele outro que é pura simpatia com os clientes.

Parentes e amigos alegam que depois do contágio com a resiliência ele perdeu o juízo, mas ele ri despreocupado, sabe que se perdeu algo, só pode ter sido o conforto da inércia. O que não é lá uma grande perda, né?

Convenhamos que certas perdas só nos deixam mais leves, que o diga o nosso Marcelo, que também pode ser o João, a Marina e tantos outros jovens formados que encontraram a realização profissional em tarefas que tinham pouco ou nada a ver com a sua formação.

E a Manoela, o que dizer dela?

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Mãe aos 16 anos, foi diagnosticada desde os 17 com o vírus da resiliência, foi um golpe inesperado, porém bem recebido, a menina não entrou em desespero e com o peso nas costa, ou melhor, nos braços de uma outra vida para cuidar, resolveu que não iria desistir dos estudos, voltou a sala de aula, deixou o pequeno aos cuidados da mãe/avó, terminou o ensino médio um ano atrasada, mas muito feliz. Decidiu não parar por aí, queria explorar todos os sintomas dessa doença regenerativa, assim decidiu cursar engenharia, depois de muitos perrengues, noites em claro, horas de trabalho, estudos, estágios e troca de fraldas, finalmente ela pegou o diploma. Hoje a Manoela mãe, também é engenheira e palestrante, usa a sua história para falar com outras meninas sobre a experiência com o vírus e as consequências dele na sua vida.

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Outra vítima da resiliência é o Maicon, pobre criança. Mas é pobre mesmo, no sentido literal da palavra, que adjetiva aquele que não possui muitas posses.  O chamado “menino de rua”, Maicon nunca conheceu a sensação de ter um lar de verdade, ele mora nas ruas, se alimenta mal e vive dos trocados que consegue no sinal. O dia que foi infectado pelo vírus ele nem lembra, aliás, acho que já nasceu com ele, dia após dia ele o usa para sobreviver a cada armadilha que encontra na selva de pedra, que muitos chamam de cidade, mas ele prefere chamar assim, a sua selva de pedra.

A Dona Maria também é mais uma infectada pelo vírus, com seus 67 anos de pura experiência e trabalho, assistiu paralisada a água e a lama levarem tudo que havia conquistado na sua trajetória, a casa, os móveis, o seu lar estava sendo levado e por pouco a sua vida também não foi. Nesse momento de muito desespero e desolação ela descobriu o diagnóstico da resiliência, no momento da vida em que todos almejam a tão sonhada aposentadoria, Dona Maria teve que começar tudo de novo, e com mais um agravante, uma briga na justiça para conseguir ser ressarcida pelos danos materiais e morais que sofreu. Ela que agora está aí, no auge dos seus 67 anos, uma infectada pela resiliência, lutando na justiça e na vida para voltar a ter dias melhores e mais tranquilos.

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Sabe o que Marcelo, Manoela, Maicon e Dona Maria têm em comum além da primeira letra do nome? Todos eles são personagens fictícios desse texto, mas as suas histórias são inspiradas em pessoas da vida real, que viram suas vidas serem transformadas após o contágio do vírus resiliência.

Muitos de nós também somos portadores desse vírus, alguns vão desenvolvê-lo durante a vida e outros não. O primeiro grupo terá que saber equilibrar força física e tranquilidade mental para não sucumbir a cada golpe, já o segundo terá que travar uma guerra com o inimigo poderoso, a inércia, uma antagonista que não deve ser subestimada, ela deixa qualquer um apático e insensível, incapaz de nadar em qualquer maré que for jogado, seja ela boa ou ruim. Ao contrário do vírus da resiliência, o da inércia pode sim levar à óbito, já que ele deixa a gente paralisado, à mercê de qualquer corrente que a vida nos jogue.

Por isso, é  importante nos preocuparmos em exercitar umas braçadas vez ou outra, vai que a vida nos jogue em águas mais agitadas, temos que estar prontos para nadar . É bom a gente aproveitar até as marolinhas da vida para ir treinando, assim  mantemos o nosso vírus camarada acordado, sempre em alerta, pois nunca se sabe quando vamos precisar de uma ajudinha da resiliência, a toxina que faz a gente sobreviver a qualquer tempo ruim.

Link para curiar: Resiliência: O quê, porquê e como

Nota que inspirou esse texto

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Oi, muito prazer. Juliana, jubs ou Ju. Fique à vontade.

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